poelítica


02/05/2006


02/05/2006 ¦ 18:31

Pau puro

O ator Carlos Vereza desancou Lula e seu governo em entrevista a Jô Soares no início da madrugada de hoje.


Os problemas técnicos enfrentados por este blog ao longo de parte do dia impediram de postar mais cedo trecho da entrevista.


É o que faço agora.


Clique aqui para ver o trecho da entrevista.


Escrito por junior às 18h40
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02/05/2006 ¦ 09:00

 

Do companheiro Morales para o companheiro Lula

O presidente cubano Fidel Castro é o mais antigo ditador do mundo ainda no pleno exercício de suas funções. O presidente venezuelano Hugo Chávez se julga a nova encarnação do general Simon Bolívar, responsável no século XIX pelo fim do domínio espanhol sobre parte da América do Sul.

 Foi com os dois que se reuniu Evo Morales poucas horas antes de nacionalizar a indústria de petróleo e de gás do seu país. Morales incorporou a Bolívia à Alternativa Bolivariana para as Américas, organismo criado por Castro e Chávez em 2004 e que pretende se opor à Associação de Livre Comércio da América Latina, proposta pelos Estados Unidos.

 Apesar da pobreza da maioria dos seus habitantes, a Venezuela é o quinto maior produtor mundial de petróleo, o que estimula Chávez a engrossar a voz. Cuba tem açúcar e nada mais. Antes dependente da ajuda da extinta União Soviética, vive no sufoco há mais de 40 anos devido ao bloqueio comercial imposto pelos Estados Unidos.

 Quanto à Bolívia, trata-se simplesmente da nação mais pobre da América do Sul.

 Para se eleger, Morales prometeu, entre outras coisas, nacionalizar a indústria petrolífera. Menos de quatro meses depois de ter sido empossado, sua popularidade despencou. Na véspera de anunciar a decisão mais ousada que tomou até aqui, despistou e disse que ainda era cedo para tal. Aproveitou a data de primeiro de maio para anunciá-la.

 Cercou-a dos adereços típicos de um nacionalismo ultrapassado – discurso no local do maior campo de extração de petróleo e de gás, apelo aos seus compatriotas para que resistam a possíveis atos estrangeiros de sabotagem, faixas estendidas com a versão boliviana do slogan “O petróleo é nosso”, e a ocupação militar de 56 refinarias.

 Foi um ato unilateral destinado a provocar forte repercussão em larga parte do mundo. Ao invés de negociar com as empresas estrangeiras condições mais vantajosas para permitir que  continuassem operando na Bolívia, Morales preferiu correr o risco de rasgar acordos comerciais firmados há muitos anos.

 Entrou para a História pela contramão. Empolgado com a reação dos bolivianos, Morales apressou-se a antecipar que em breve pretende nacionalizar os principais recursos naturais do seu país – minérios, florestas e terras. “É assim que se constrói um novo modelo econômico”, disse ele.


Escrito por junior às 11h32
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 É assim também que se constrói um desastre.

 A Bolívia não pode se dar ao luxo de dispensar investimentos estrangeiros. Doravante, quem se sentirá seguro para aplicar ali o seu dinheiro? Chávez, sozinho, não bancará a aventura de Morales. Castro não tem um tostão para isso. E à caça de um novo mandato, Lula está impedido de demonstrar a mais remota simpatia pelo gesto de Morales.

 Quando nada porque os interesses brasileiros na Bolívia foram duramente afetados. A Petrobrás aplicou desde 1996 naquele país algo como US$ 3,5 bilhões para explorar petróleo e importar gás. É a maior empresa da Bolívia, responde por 15% do seu Produto Interno Bruto e toca suas maiores refinarias.

 O governo brasileiro deixou-se levar pelo entusiasmo que lhe despertou a eleição de Morales. Uma medida disso está no trecho final do discurso feito por Lula no dia 30 de novembro último na província argentina de Puerto Iguazú. Morales ainda não havia sido eleito. Disse Lula traindo sua megalomania:

 - Aí chega você, [Kirchner] que não estava previsto ser presidente da Argentina, chego eu, que não estava previsto ser presidente do Brasil, e a gente começa a perceber o que está acontecendo na América do Sul.  (...) Imagine o que significou a eleição do Chávez na Venezuela; imagine o que significa se o Evo Morales ganhar as eleições na Bolívia.

 No dia 8 de fevereiro passado, foi a vez de Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula para Relações Internacionais, revelar a cegueira do governo diante do que se desenhava na Bolívia. Pouco antes de voar a La Paz para discutir mudanças no contrato da Petrobrás com o governo Morales, Garcia disse que o Brasil não tinha por que se preocupar com o assunto.

 - Existe um ambiente de negociação muito tranqüilo entre os dois países – garantiu.

 Não havia. Morales dera todos os sinais de que procederia como de fato procedeu.

 Lula deve ter pensado que se arranjaria com Morales na base do gogó – afinal foi com o gogó que conseguiu escapar quase ileso do efeito devastador do escândalo do mensalão.

 Resultado: o companheiro Morales passou a perna no companheiro Lula.


Escrito por junior às 11h32
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01/05/2006


 

"Haverá um dia em que todos voltaremos a ser felizes. Será o dia em que Rosinha será apenas uma flor, Garotinho apenas uma criança, Genuíno será algo verdadeiro, Serra será apenas um acidente geográfico, Genro apenas o marido da filha, Lula apenas um molusco marinho...............



Escrito por junior às 06h56
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DIA DA CAATINGA-28/04/2006

Caatinga é um dos biomas mais ameaçados do planeta

Durante a semana, entidades da sociedade civil reivindicaram maior atenção à preservação e ao manejo da caatinga, enquanto instituições governamentais como o MMA e o Ibama lançaram propostas de combate à sua degradação e promoção do seu uso sustentável.

SÃO PAULO - Desde 2003, o dia 28 de abril foi instituído como o Dia Nacional da Caatinga por meio de um decreto presidencial. Durante a semana, entidades da sociedade civil reivindicaram maior atenção à preservação e ao manejo da caatinga, enquanto instituições governamentais, como o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), lançaram propostas de combate à sua degradação e promoção do seu uso sustentável.

A caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro e ocupa 895 mil quilômetros quadrados, o que equivale a 12% do território do país. Grandes áreas dos estados nordestinos e de Minas Gerais têm suas paisagens marcadas pelas características da caatinga. Apesar do clima semi-árido, com poucas chuvas, o ecossistema apresenta vidas animal e vegetal diversificadas.

Rica em recursos naturais, a caatinga é um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta. O seu alto poder calorífico ocasiona a principal causa da sua degradação. Em uma região em que a escassez de rios implica acesso menor à energia elétrica, a lenha e o carvão vegetal correspondem a 30% da matriz energética usada nas indústrias da região, o que acaba intensificando o desmatamento local.

De acordo com Silvia Picchioni, coordenadora da área de Combate à Desertificação da Associação Pernambucana de Defesa da Natureza (Aspan), as grandes indústrias e siderúrgicas, além dos pólos gesseiro e cerâmico, são as principais responsáveis pelo uso da lenha como combustível em suas produções. Para Silvia, existe uma lógica equivocada de que é o pobre quem degrada a caatinga.

A ambientalista aponta o governo como um dos autores da depredação da caatinga por autorizar a atividade industrial na região de forma indiscriminada. “É um sistema energético insustentável. É criminoso o Estado autorizar algo que não tem como se sustentar ambientalmente. O governo e o estado [federal] não têm a menor responsabilidade”, afirma.

Leonel Pereira, chefe de gabinete da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA afirma que a vegetação nativa acaba servindo como opção de sobrevivência num lugar onde a pobreza é grande e há falta de alternativas. “A permanente vulnerabilidade social e econômica acaba aumentando a pressão sobre os recursos naturais”, afirma Pereira.

Estudos do Ibama estimam que só em Pernambuco, 265 mil caminhões a cada ano seguem carregados de lenha para atender à demanda energética do estado. Essa quantidade é relativa ao desmatamento de 65 mil hectares. “Se continuar nesse ritmo, em 2010, teremos menos de 30% da área original da caatinga. Daqui a 10 ou 15 anos, será o desastre total”, afirma o superintendente do Ibama de Pernambuco, João Arnaldo Novaes. Atualmente ainda resta 50% da formação original, mesmo com perda anual de 365 mil hectares de todo o bioma.


 

 

Escrito por junior às 05h53
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PROJETOS

O MMA tem apostado em projetos de desenvolvimento sustentável, como o de Manejo Integrado de Ecossistemas e de Bacias Hidrográficas na Caatinga, o GEF Caatinga. O projeto conta com R$ 12,5 milhões do Fundo Global para o Meio Ambiente até 2007 e contempla pesquisas em 160 municípios do semi-árido. Segundo o MMA, o GEF Caatinga pretende promover o manejo equilibrado e integrado dos recursos naturais, recuperar áreas degradadas e criar três corredores ecológicos e uma unidade de conservação.

Pereira defende que haja plano de manejo e manutenção de forma sustentável da extração da lenha por meio de demarcação de reservas legais. Ele acredita que as ações devem ser voltadas para a realidade da sociedade local. Nesta semana, foi anunciada a criação de uma floresta nacional da caatinga, cujo decreto deve ser assinado em julho pelo presidente Lula. É a primeira reserva em que todas as espécies são exclusivas do bioma. Um centro de pesquisa e difusão do conhecimento do uso do ecossistema está previsto para ser alocado na reserva.

Atualmente, segundo a Superintendência do Ibama, apenas 3% da extração da lenha é feita de forma sustentável e somente 10% é legalizada, mas sem regime sustentável. O Ibama pretende legalizar 70% da lenha até o final do ano. Para isso, a entidade vai tentar agir no ponto de consumo, ou seja, nos pólos industriais, principalmente o gesseiro da cidade de Araripe. Até então, a fiscalização era focada apenas na procedência dos carregamentos de lenha e carvão. “Antes as empresas não tinham estimativa de consumo [de lenha]”.

Após estudos, o Ibama chegou a uma estimativa fixa de quanto um forno industrial requer de lenha para obter determinada quantidade de produto e com isso vai obrigar que toda lenha e carvão vegetal usados nas indústrias sejam 100% oriundos de reservas de uso sustentável. Além de não conseguir evitar o comércio ilegal da lenha e do carvão, a fiscalização atual não minimiza o tráfico de animais silvestres da região e o contrabando de plantas medicinais para grandes grupos farmacêuticos do exterior.

“A caatinga é o bioma menos protegido do Brasil”, afirma Picchioni. Segundo ela, apenas 0,4% do ecossistema está formalmente resguardado e delimitado como áreas de proteção. Pereira acredita que a melhor estratégia para a preservação é estabelecer unidades de conservação de proteção integral ao lado das de uso sustentável, criando um mosaico de áreas protegidas. “Os movimentos ambientalistas defendem primeiramente a ampliação dessas áreas para preservação. Tem muita gente interessada em regiões de utilização sustentável, mas é preciso dosar para ampliar as ações”, considera Picchioni.

DESERTIFICAÇÃO

A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2006 como o Ano Internacional de Deserto e Desertificação. A caatinga é um bioma com forte propensão à desertificação e por isso requer um cuidado especial nesse processo de transformação.

Além das mudanças climáticas naturais do planeta, o desmatamento da caatinga torna o ecossistema cada vez mais sensível à desertificação. Com a perda da vegetação natural, o solo da região fica exposto e comprometido pela erosão e pela salinização. Esses processos são responsáveis por alterarem o regime de rios, que torna o abastecimento das comunidades locais e da agricultura familiar escasso


Escrito por junior às 05h52
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30/04/2006


Vem aí mais imposto ou menos investimento

Maílson da Nóbrega

 

A Constituição de 1988 e depois dela os aumentos do valor real do salário mínimo inverteram a lógica da despesa pública no Brasil. Nos países normais, primeiro se arrecada para depois gastar. Aqui, primeiro se cria a despesa para depois aumentar a carga tributária. A voracidade não é tributária, mas da despesa obrigatória, que compromete o futuro.


Lula continuou a marcha da insensatez no salário mínimo e agora apoiou uma nova reivindicação de prefeitos, qual seja, aumentar em um ponto percentual a participação dos municípios na receita da União. Como de vezes anteriores, não haverá a correspondente transferência de responsabilidades.


O ministro Tarso Genro afirmou que a medida atende o interesse público, fortalece a Federação, ajuda a democracia e quejandos. Nada a ver. Os ganhadores serão os insaciáveis prefeitos, que se acostumaram a comparecer aos magotes a Brasília para arrancar dinheiro do governo federal, como se a grana nascesse em árvore.


O ministro precisa informar-se melhor. A medida aumentará os gastos municipais. Vai piorar a situação orçamentária. Acrescentará novas dificuldades ao crescimento. Como não dá para compensar a perda com corte de gastos federais, a benevolência desaguará em aumento de carga tributária ou redução do investimento. Esta tem sido a tragédia fiscal desde 1988.


Quem reclama da carga tributária não protestou, provavelmente por não perceber o problema. A luta, inglória, tem cabido desde 1988 aos ministros da Fazenda. Palocci conseguiu segurar a atual onda por um tempo. Com sua saída, a dupla Tarso Genro-Dilma Roussef fez a alegria dos prefeitos.


Até 1974, cabia aos Estados e Municípios 12% da arrecadação do Imposto de Renda e do IPI. Subiu para 22% em 1978, 26% em 1979, 30% em 1983, 34% em 2005 e 44% em 1988, quando se destinou mais 3% para fundos regionais de desenvolvimento. Do IPI, os Estados abocanharam mais 10% para compensá-los por incentivos (?) às exportações. Para piorar, 18% da receita daqueles impostos devem ser aplicados em educação. Assim, de cada real arrecadado de IR, a União fica com 43 centavos; no IPI, são 32 centavos. Esses dois impostos, os de melhor qualidade, foram praticamente destruídos.


Viramos uma das federações mais descentralizadas do mundo, o que teria sido bom se tivesse havido uma realocação do gastos para os governos subnacionais. Aconteceu o contrário. Ao tempo em que despia o Tesouro Nacional de recursos, a cidadã ampliou substancialmente as despesas da União. Essa “festa cívica” contribuiu, juntamente com as elevações do salário mínimo, para triplicar os gastos previdenciários como proporção do PIB, o que gerou um rombo anual de mais de 5% do PIB, equivalente a dez vezes os investimentos federais em 2005.


A União foi forçada a criar tributos não partilháveis com os governos subnacionais e a aumentar as alíquotas dos existentes. Se utilizasse o IR para cobrir as novas despesas, teria que cobrar quase o dobro. No IPI, seria preciso arrecadar o triplo. Diminuiu, assim, o interesse no IR e no IP e aumentou o esforço para cobrar Pis, Cofins, CPMF, Cide. Como proporção do PIB, o IPI é um quarto do que era em 1987. Enquanto isso, a alíquota da Cofins foi multiplicada por seis e agora subiu mais ao passar a ser cobrada sobre o valor adicionado. A carga tributária se tornou caótica, saltou de 22% para 38% do PIB e se transformou em entrave ao crescimento.


É preciso evitar que a tragédia se amplie, deixando de dar aumentos reais ao salário mínimo ou eliminando sua vinculação ao piso previdenciário. É preciso barrar as investidas dos prefeitos para churrasquear ainda mais a União. E mobilizar a sociedade em prol de um profundo ajuste fiscal. O governo Lula fez exatamente o contrário, inibindo o potencial de crescimento do País. É uma pena que Alckmin tenha prometido o mesmo aos prefeitos.


Os prefeitos são um bem organizado grupo de pressão. Eles e os governadores contribuíram para o aumento dos gastos correntes a partir de 1988 e para a redução dos investimentos. A nova investida não é de interesse público (ao contrário do que diz o ministro Genro). A nova bolada tem tudo para ser gasta com funcionalismo e em obras de pouca utilidade. E ainda há quem pense que o Brasil cresce pouco por causa da política econômica. O problema é estrutural e pode piorar.


Mailson da Nóbrega é ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria Integrada (e-mail: mnobrega@tendencias.com.br


 

Escrito por junior às 12h15
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?

 

 

O homem dos 40 escudos

 

Muitos bom burgueses, muitas grandes cabeças, que se julgam grandes cabeças,dizem, co ar importante, que os livros não servem para nada Mas não sabem estes vândalos, que não são governados a não ser por livros? Não sabem que o código civil, o código militar, os evangelhos , são livros de que dependem continuamente, leiam, esclareçam-se, pois só pela leitura se fortifica a alma, o conversação a dissipa, o jogo a limita.

 

Voltaire (1768) –


 

 

Escrito por junior às 09h11
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30/04/2006 ¦ 03:31

 

Toma lá, me dá cá

De Marta Salomon e Rogério Pagnan na Folha de S. Paulo, hoje:

 

"Mobilizadas para reagir a um eventual pedido de impeachment de Luiz Inácio Lula da Silva, entidades de trabalhadores, sem-terra e estudantes receberam mais de R$ 60 milhões dos cofres públicos nos primeiros três anos de mandato do presidente. O maior volume de dinheiro foi destinado ao MST e à CUT, investigados pelo Tribunal de Contas da União por desvio de verbas federais".


 

 

Escrito por junior às 07h07
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Pura conveniência

De Tânia Monteiro em O Estado de S. Paulo, hoje:
 
"Durante três anos e meio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viveu às turras com a imprensa. Foi acusado de inclinações totalitaristas ao patrocinar o projeto de criação do Conselho Nacional de Jornalismo, idéia enterrada sob uma avalanche de críticas. E ainda ameaçou expulsar do País o jornalista Larry Rohter, correspondente do conceituado The New York Times.

 

Na quarta-feira, Lula comandará no Palácio do Planalto a solenidade de assinatura da Declaração de Chapultepec, um tratado internacional que defende a liberdade de imprensa.

 

A assinatura da declaração faz parte de uma estratégia de reaproximação com os jornalistas cujo objetivo é desfazer a imagem negativa consolidada ao longo de seu governo. A data do evento foi escolhida a dedo: 3 de maio é o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa."

 

Assinante do Estadão leia mais aqui

 

" Um assessor da Secretaria de Imprensa da Presidência e cinco seguranças do Palácio do Planalto agrediram na tarde de quinta-feira o repórter fotográfico do Estado Celso Júnior. O incidente ocorreu após a posse da ministra Ellen Gracie na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), no exato momento em que ela se despedia, do lado de fora do prédio, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

O repórter fotográfico conseguiu se colocar em frente ao carro estacionado nos fundos do STF para levar Lula ao Palácio do Planalto. Ao perceber a presença de Celso Júnior no local, o operador de reportagem da Secretaria de Imprensa, Francisco Novaes, agarrou o fotógrafo pelo braço. Celso Júnior conseguiu se desvencilhar, mas o assessor puxou-o pelo pescoço, deu-lhe dois socos no rosto e o impediu de registrar a cena em que Lula se despedia da ministra.

 

Quando o fotógrafo conseguiu, mais uma vez, se livrar do assessor, dois seguranças do Planalto correram e o seguraram pelos braços, enquanto ele tentava preservar a máquina. Outros três seguranças acompanharam os dois colegas e o assessor no momento em que estes arrastavam Celso Júnior até uma grade, colocada para afastar manifestantes, e uma árvore, a cerca de três metros do carro. Celso Júnior, que não conseguiu fazer imagens de Ellen e Lula, ficou preso no local até a saída do presidente".


 

Escrito por junior às 07h05
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A imprensa

 

A imprensa é a vista da Nação. Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alveja, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que a ameaça.

Sem vista mal se vive. Vida sem vista é vida no escuro, vida na soledade, vida no medo, morte em vida: o receio de tudo; dependência de todos; rumo à mercê do acaso; a cada passo, acidentes, perigos, despenhadeiros. Tal a condição do país, onde a publicidade se avariou, e, em vez de ser os olhos, por onde se lhe exerce a visão, ou o cristal, que lha clareia, é a obscuridade, onde se perde, a ruim lente, que lhe turva, ou a droga maligna, que lha perverte, obstando-lhe a notícia da realidade, ou não lha deixando senão adulterada, invertida, enganosa.

Já lhe não era pouco ser o órgão visual da nação. Mas a imprensa, entre os povos livres, não é só o instrumento da vista, não é unicamente o aparelho do ver, a serventia de um só sentido. Participa, nesses organismos coletivos, de quase todas as funções vitais. É, sobretudo, mediante a publicidade que os povos respiram.

Todos sabem que cada um de nós tem na ação respiratória uma das mais complexas do corpo, e uma das em que se envolvem maior número de elementos orgânicos. A respiração pulmonar combina-se com os tecidos, para constituir o sistema de ventilação, cuja essência consiste na troca incessante dos princípios necessários à vida entre o ar atmosférico e o sangue, da circulação do qual vivemos. Nos pulmões está o grande campo dessas permutas. Mas os músculos também respiram, e o centro respiratório se encontra, bem longe do aparelho pulmonar, nesse bulbo misterioso, que lhe preside à respiração, e lhe rege os movimentos.

Da mesma sorte, senhores, nos corpos morais, nas sociedades humanas, essa respiração, propriedade e necessidade absoluta de toda célula viva, representa, com a mesma principalidade, o papel de nutrição, de aviventação, de regeneração, que lhe é comum em todo o mundo orgânico, animado ou vegetativo.

Nos indivíduos, ou nos povos, o mundo espiritual também tem a sua atmosfera, donde eles absorvem o ar respirável, e para onde exalam o ar respirado. Cada um dos entes que se utilizam desse ambiente incorpóreo desenvolve, na sua existência, graças às permutas que com esse ambiente entretém, uma circulação, uma atividade sangüínea, condição primordial de toda a sua vida, que dele depende. Não há vida possível, se esse meio, onde todos respiram, lhes não elabora o ar respirável, ou se lhes deixa viciar pelo ar respirado.

Entre as sociedades modernas, esse grande aparelho de elaboração e depuração reside na publicidade organizada, universal e perene: a imprensa. Eliminai-a da economia desses seres morais, eliminai-a, ou envenenai-a, e será como se obstruísseis as vias respiratórias a um vivente, o pusésseis no vazio, ou o condenásseis à inspiração de gases letais. Tais são os que uma imprensa corrupta ministra aos espíritos, que lhe respiram as exalações perniciosas.

Um país de imprensa degenerada ou degenerescente é, portanto, um país cego e um país miasmado, um país de idéias falsas e sentimentos pervertidos, um país que, explorado na sua consciência, não poderá lutar com os vícios, que lhe exploram as instituições.

 

Rui Barbosa


Escrito por junior às 00h41
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29/04/2006


Quem precisa desse irmãozinho?

O boliviano Evo Morales, que chama Lula de “irmão mais velho”, põe em risco a única

frente da política externa de Lula que ainda está de pé

Os piores problemas que o presidente Lula enfrenta em seu governo costumam vir dos próprios amigos. Foi o PT (incluindo seu colega José Dirceu e seu ministro preferido, Antônio Palocci) que provocou o desgaste político interno que ele enfrenta há dez meses. Agora, é um de seus maiores admiradores na América Latina, o presidente da Bolívia, Evo Morales, quem está destruindo a última perna da política externa de seu governo.

Se há uma área em que não se pode acusar Lula de dar continuidade às diretrizes do governo Fernando Henrique, essa área é a política externa. Assim que tomou posse, Lula tratou de mudar as prioridades do Brasil. Inicialmente, havia três eixos de atuação. O primeiro era a tentativa de obtenção de uma vaga permanente com a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Começou bem. Houve até o acordo com Alemanha, Japão e Índia, também candidatos. Mas a reforma foi enterrada e o Brasil ficou sem nada. A segunda frente de atuação era na Organização Mundial de Comércio. A articulação do G20, grupo de países com grande produção agrícola afora União Européia e Estados Unidos, foi uma vitória celebrada. Mas, no fim, não deu resultados concretos. O que sobrou foi a integração latino-americana.

Desde que Evo Morales tomou posse como presidente, há três meses, o governo boliviano tem posto esse último eixo em xeque. Líder de um país grande e importante na região, mais sóbrio que Chávez e menos intempestivo que Kirchner, Lula estava indo bem na região. Até que começaram os conflitos entre Argentina e Uruguai por causa do projeto de uma fábrica de papel no Uruguai e, agora, a crise com a Bolívia, na qual, para o governo brasileiro, há o dedo de Chávez.

Morales continua chamando Lula de seu irmão mais velho. E continua esperando muito do Brasil para tirar a Bolívia, o país mais pobre do continente, de suas dificuldades econômicas. O problema é que Evo Morales, festejado como o primeiro descendente de índios a vencer uma eleição e tomar posse do cargo de presidente, não é de jogar para a platéia (leia a reportagem sobre o populismo na América Latina).

Ao contrário de Lula, que fala em governo para os pobres, mas mantém o mais amigável ambiente econômico que os bancos poderiam desejar, ou do venezuelano Hugo Chávez, que posa de grande combatente do imperialismo americano, mas continua entregando petróleo aos EUA no prazo e a preço de mercado, Morales é um homem de ações. E as ações que vem tomando afetam diretamente interesses do país que tem maior presença econômica na Bolívia hoje: o Brasil.

Essa semana viu as relações entre Brasil e Bolívia, tensas desde que o governo de Morales anunciou a intenção de rever os contratos que assinou com as empresas de petróleo para exploração de gás natural, atingir seu pior momento até agora. Na terça-feira 25, o empresário Eike Batista decidiu que sua empresa, a EBX, vai deixar a Bolívia.

Há um mês, quando foi recebido por cinco ministros bolivianos, Eike percebeu que teria dias difíceis pela frente. Seu projeto para a construção de uma usina de ferro-gusa na fronteira com o Brasil - um investimento de US$ 150 milhões - já havia consumido quase um ano de obras, mas precisava ainda da licença de operação. 'Nem me deixaram falar. Fui recebido como um ladrão.


 

Escrito por junior às 21h59
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Foi um dos piores momentos de minha vida', disse Eike, ao anunciar a retirada do projeto e US$ 20 milhões de prejuízo com a desistência.

Eike tinha como sócio uma empresa boliviana, a Zoframac. O terreno de 282 hectares onde ficaria a usina pertencia aos bolivianos. Agora, Eike estuda três propostas para dar destino a seu investimento: do governo de Mato Grosso do Sul, do Amapá e do Paraguai, que vem abrindo as portas para empresas brasileiras. Na Bolívia, os planos de Eike incluíam ainda a construção de uma termelétrica e duas usinas para completar o ciclo de produção do aço. O projeto todo se baseava na energia barata que o gás da Bolívia, dona da segunda reserva de gás natural do continente, atrás apenas da Venezuela, representa. 'Era um belo projeto que fui obrigado a largar', disse. Autoridades locais temiam o cancelamento do projeto e chegaram a seqüestrar ministros bolivianos para forçá-los a aceitar o investimento da EBX.

Aos olhos de Morales, o projeto de Eike era culpado de vários pecados. Oficialmente, o problema se refere a exigências legais que a EBX não estaria cumprindo. O projeto não tinha licença ambiental e a usina se encontra a menos de 50 quilômetros da fronteira, o que é proibido pela Constituição boliviana para empresas estrangeiras. Eike diz que o contrato foi assinado com o governo anterior a Morales e está de acordo com as leis. O problema real é que Eike se associou a empresários da província de Germán Busch, onde fica sua usina. A Bolívia vive momentos de grande tensão com a região amazônica, que faz fronteira com o Brasil, exigindo autonomia quase total em relação ao altiplano - a região andina onde fica La Paz e de onde vêm Morales e a maioria da população indígena do país. 'Não vou continuar onde não sou bem-vindo', afirmou Eike. O desmonte dos altos-fornos levará ainda dez meses. 'Estou sendo o bode expiatório de 500 anos de exploração.

 

Fonte: Revista Época – 29/04/2006


Escrito por junior às 21h59
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PARA CRISTOVÃO BUARQUE LULA SÓ APRENDEU A DAR ESMOLAS

 

    Ex-petista e ex-ministro do governo Lula, o senador Cristovam Buarque (PDT) confirmou ontem, durante visita a João Pessoa, onde recebeu a Medalha Augusto dos Anjos da Assembléia Legislativa, pretensão de disputar a Presidência da República nas eleições deste ano. Ao prometer um projeto revolucionário na educação, Buarque disse que é contra o projeto de Transposição do Rio São Francisco e acusou o presidente de ser omisso quanto ao escândalo de mensalão e corrupção no governo federal.

    “Poderia não ter autorizado, mas certamente se falou sobre tudo isso no Palácio do Planalto”, declarou. Em entrevista, o ex-ministro da Educação, disse que sentiu um alívio ao deixar o governo e, depois, o PT. Para ele, tanto na área de educação como na assistência social, o governo Lula aprendeu apenas a “dar esmolas”. Buarque esteve na Paraíba para receber Medalha Augusto dos Anjos da Assembléia, comenda para personalidades de destaque nas áreas artísticas e culturais, e participar de encontro da Juventude do PDT.

    Na comitiva, estava o vereador Brizola Neto, neto do ex-governador e presidente do PDT nacional, Leonel Brizola. “Sentimos que vai tomando conta do País essa idéia de candidatura própria do PDT, dentro dos moldes que o meu avô sempre defendeu: pela educação”, disse. Sem titubear, Buarque disse que vai disputar a preferência do PDT paraibano na briga pela condição de candidato a presidente. No páreo, estão ainda o senador Jeferson Perez e o ex-governador Ronaldo Lessa (AL). Sem revelar muita disposição na candidatura própria à Presidência, lideranças do PDT da Paraíba, que esperam liberdade para apoiar a chapa do PSDB, foram gentis com o senador. Ele retribiu: “O PDT em cada Estado tem sua realidade e é quem sabe que melhor caminho tomar”.

    Ciente de que estava na Paraíba, Buarque que era contra o projeto de transposição do Rio São Francisco. Depois, na mesma resposta, após atacar o projeto, disse que não era definitivamente contra, “desde que o projeto garanta a exploração sustentável do Rio”.

    Pronto para enfrentar uma campanha contra o ex-chefe, que ainda desponta como líder da corrida, Buarque disse que não está preocupado com baixos índices de pesquisa, mas sim os baixos índices na área de educação. “O que me preocupa são os 15% de analfabetos, os inexpressivos um terço de concluintes do segunda grau, entre outros. Esse é o índice que eu quero resolver”, disse.

    O presidente estadual do PDT, Chico Franca, disse que a candidatura de Buarque é legítima, mas reafirmou o projeto de apoiar o governador Cássio Cunha Lima.

 

Fonte: jornal da paraiba


Escrito por junior às 08h39
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  • DELEGADOS SÃO BARRADOS NO ENCONTRO
  • LÍVIA KAROL ARAÚJO

    A participação dos 35 delegados do PT da Paraíba no 13° Encontro Nacional do PT, que teve início ontem à noite, começou um tanto constrangedora. Parte do grupo foi barrada pela organização do evento, porque o diretório estadual não estaria em dia com as contribuições financeiras. O deputado estadual Rodrigo Soares atribuiu o problema a uma falha no sistema de comunicação entre a Direção Nacional e o PT da Paraíba. Segundo ele, o partido tinha encaminhado a lista dos filiados que estavam quites com a contribuição, mas não haveria registro de comprovação no sistema da Direção Nacional.

    O deputado disse que ontem mesmo o problema foi solucionado e que a delegação ficou prejudicada, porque alguns delegados não puderam chegar a tempo para a abertura do Encontro, que termina neste domingo.

    A abertura do evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele discursou por quase uma hora e, segundo informações de Rodrigo Soares, o presidente teria deixado claro que em todos os Estados brasileiros o PT deve assumir o projeto nacional do partido.

    Em outras palavras, conforme declarações do deputado, a estratégia do PT é lançar candidato próprio apenas nos Estados onde existirem reais chances de vitória. Caso contrário, a orientação para o partido é de que converse e apóie as legendas que são aliadas do governo Lula.

    “No caso da Paraíba, o PT precisa sentar e definir conversas com o PSB, PC do B e com o próprio PMDB e traçar a sua política de aliança”, comentou. Rodrigo Soares ainda ressaltou que o presidente ainda não assumiu que é candidato à reeleição e que só vai se decidir em julho.

    O presidente estadual do PT, o deputado Frei Anastácio, o vice, Júlio Rafael, e o secretário de Organização, Jackson Macêdo, não foram localizados pela reportagem do JORNAL DA PARAÍBA para se posicionarem sobre o problema da inadimplência e a respeito das declarações do deputado Rodrigo Soares sobre a política de alianças. Todos estavam com os seus telefones celulares desligados.


Escrito por junior às 08h33
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